Para doar ovócitos deve-se cumprir os seguintes requisitos:
- Idade : 18 a 35 anos
- Possuir um historial familiar negativo para doenças de transmissão genética
- Possuir um historial genético normal
- Estudo negativo para doenças sexualmente transmissíveis:
- Sida
- Hepatite B e C
- Estudo clínico de herpes
- Sífilis
- Normalidade do aparelho reprodutor
- Saúde física e mental
- História de fertilidade prévia e/ou adequada resposta ao tratamento de estimulação ovárica.
Segundo a Lei de Técnicas de Reprodução Assistida, toda a doação de gâmetas ou embriões deve ser anónima e voluntária, pelo que o IVI não está permitido revelar a identidade dos dadores nem dos receptores. Portanto a única informação que se poderá facilitar à receptora acerca da dadora são dados de interesse para um correcto seguimento da gestação: grupo sanguíneo e idade da dadora.
A doação de ovócitos é altruísta pelo que não pode ter carácter lucrativo. O IVI não remunerará a doação dos mesmos. Se bem que, dado que a dadora é submetida a um tratamento de estimulação da ovulação e posteriormente à extracção dos ovócitos com anestesia geral (sedação) permite-se uma compensação económica pelas deslocações e pelo tratamento a que vai ser submetida.
Dada a variedade de nacionalidades dos pacientes que vêm ao IVI, admitimos dadores de diferentes etnias e raças no programa, para adequar a doação de ovócitos mais a cada caso em particular.
Doar óvulos não reduz as possibilidades de gravidez na dadora
Doar óvulos não significa esgotar a reserva de óvulos dos ovários. Se uma mulher nasce com 2 milhões de óvulos, aproximadamente, e só vai ovular 400 ou 500 vezes durante a sua vida reprodutiva, ou seja de um óvulo por mês, onde vai parar o resto?
Para produzir um óvulo de forma natural e espontânea cada mês ou ciclo menstrual, a natureza necessita recrutar centenas, dos quais serão seleccionando uns quantos até que um, o melhor, chega à fase final da ovulação, perdendo-se dos outros que iniciaram o crescimento nesse ciclo. Os óvulos que não prosseguiram no desenvolvimento são eliminados porque o corpo não os pode reciclar e voltar a utilizar.
Desde o nascimento os óvulos vão-se perdendo a uma velocidade geneticamente determinada. Inclusive, durante a toma de anticonceptivos ou anovulatórios, durante a gravidez, antes da puberdade …..vai-se reduzindo o número dos que podemos empregar em nós mesmas.
Com a administração de hormonas à dadora de óvulos, iguais às que controlam o ciclo menstrual natural, estimula-se a produção de óvulos que tal como acontece no crescimento num ciclo sem medicação mas que se perderiam se não tivessem sido estimulados. O seu crescimento é controlado por ecografia vaginal, tal como fazemos no seguimento da ovulação durante um ciclo natural, para ver quando vai ovular; só que nesta ocasião, chegarão a uma maior quantidade de óvulos à fase ovulatória.
O tratamento hormonal da doação de ovócitos não supõe risco importante para a dadora se realizado num centro especializado como o IVI, dada a nossa larga experiência na estimulação da ovulação, o controlo exaustivo que realizamos assim como, a personalização dos tratamentos segundo as características da dadora.
Completo estudo do aparelho reprodutor da dadora
Mulheres entre os 18 e os 35 anos podem ser dadoras de óvulos. Para serem aceites no programa de doação de ovócitos submetem-se a um estudo do seu aparelho reprodutor, controlado em todos os seus detalhes, que nos oferecerá uma valiosa informação relativa à fertilidade da dadora, o seu estado de saúde e uma assessoria especializada sobre o seu potencial para ser mãe, maior do que aquele que obtêm qualquer mulher que queira ficar grávida pelos próprios meios.
A realização de uma ecografia vaginal permite conhecer a anatomia da mulher descobrindo, por exemplo, as causas dos ciclos irregulares e descartando a presença de quistos, miomas, pólipos e outras alterações do aparelho reprodutor. Realiza-se uma revisão ginecológica muito completa e um estudo cromossomico -cariótipo ou informação que contenha os cromossomas- que descarte futuras taras nos bebés próprios ou nas receptoras de ovócitos (por exemplo o síndrome de Down, perda de material genético, duplicação de informação genética ou falta de algum troço de algum cromossoma.) Estuda-se a qualidade dos óvulos, o seu amadurecimento e capacidade de fecundação. Confirma-se a ausência de doenças transmisivéis como o Vírus da Inmunodeficiência humana (VIH), a hepatite, sífilis, citomegalovirus, herpes genital, rubéola ou toxoplasmose, e também o grupo sanguíneo e Rh.
A doação tem um carácter ambulatório
A doação de ovócitos, depois do estudo da dadora, consiste na estimulação controlada da sua ovulação após de um tratamento hormonal injectável durante umas três semanas. Período este em que se faz um seguimento ecográfico e analítico exaustivo do desenvolvimento dos óvulos que culminará na extracção dos mesmos. Em alguns casos, nos que se observa um desenvolvimento excessivo, onde corram o risco de hiperestimulação ou o contrário, a baixa produção, o tratamento será cancelado antes de chegar à doação. Isto não impedirá o início de um novo ciclo baseado no sucedido na estimulação anterior para poder realizar a doação de ovócitos.
Se o desenvolvimento é normal procede-se à extracção dos óvulos de forma ambulatória, com uma duração de 15 a 20 minutos. Esta realiza-se mediante uma ecografia vaginal com um sistema preciso de punção-aspiração acoplado dirigido ao conteúdo dos folículos ováricos ou cavidades que contenham os óvulos, pelo que não deixará cicatriz visível. Para evitar os desconfortos na vagina realiza-se uma sedação. Passada uma hora, a mulher pode ir para casa e fazer uma vida normal. Caso sinta algum desconforto não será mais do que aquele que tem numa menstruação normal, embora dependa da sensibilidade de cada mulher.
De qualquer das formas, o IVI suportará os gastos médicos e farmacêuticos implicados no tratamento, assim como das explorações complementares que se realizam às dadoras.
A doação de ovócitos é altruísta, anónima e voluntária, igual a outras doações biológicas, como as doações de sangue, medula óssea e outros órgãos. A lei proíbe o comércio de óvulos e a remuneração económica pela doação, já que a principal finalidade deste acto é a ajuda voluntária a outras mulheres. A lei também proíbe ao IVI revelar a identidade da dadora à receptora e vice-versa.
A legislação espanhola
A doação de ovócitos ou óvulos é uma técnica de reprodução assistida na qual o gâmeta feminino é fornecido por uma mulher distinta daquela que vai receber o gâmeta ou o embrião resultante. A receptora levará ao fim a gestação e o parto do feto. A doação de gâmetas femininos foi autorizada pela legislação Espanhola no ano de 1988, (Lei 35/1988, 22 de Novembro). Segundo a mesma, a maternidade será outorgada à mulher que dá à luz ao feto.
Esta permite uma compensação económica pelos desconfortos causados à dadora: injecções, consultas médicas periódicas, análises periódicas ou deslocações ao IVI.
Além da doação anónima voluntária, existe a possibilidade de casais estéreis, com respostas excessivas aos seus próprios tratamentos, dando lugar a um número excessivo de embriões, de cederem os seus óvulos. Nestes casos a mulher estéril deve ajustar-se às condições específicas da idade, ausência de causa ovárica para a sua esterilidade... e cumprir os mesmos requisitos de serologias, carótipo, etc. que as dadoras. Por isso, estas doações a outros casais estão muito mais limitadas.